SÁBADOS, ÀS 19H, NO BOM JESUS/IELUSC

Morangos Silvestres - 16/8



Smultronstället (SWE, 1957)

Escrito e dirigido por Ingmar Bergman
Produzido por Allan Ekelund
Música por Erik Nordgren e Göte Lovén
Edição de Oscar Rosander

Elenco: Victor Sjöström, Bibi Andersson, Ingrid Thulin, Gunnar Björnstrand, Jullan Kindahl, Folke Sundquist, Björn Bjelfvenstam.

Morangos Silvestres conta a história de um médico e professor aposentado, Isaak Borg (Victor Sjostrom), que aos 78 anos será homenageado com o título honorário da Universidade de Lund, sua cidade natal, a qual abandonara em favor de Estocolmo. Desde a véspera até a chegada em Lund, Borg é invadido por recordações do passado que confrontam o seu presente. Sonhos, devaneios e flashbacks conduzem-no a um mergulho no inconsciente, fazendo-o perceber que seu temperamento áspero e distante impossibilita o envolvimento afetivo com familiares e amigos, protegendo-o do sofrimento e, por outro lado, isolando-o. A constatação da velhice e solidão trazem a presença iminente da morte, incitando-o a repensar sua vida durante o percurso que faz até Lund. (Esse é um trecho do trabalho de Claudia Bavagnoli, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, que você confere na íntegra aqui.)

P&B, legendado, 91 min.

E para aqueles que não gostam de ler, segue uma vídeo-leitura sobre o filme.

A Noite - 9/8



La Notte (ITA/FRA, 1961)

Dirigido por Michelangelo Antonioni
Roteiro de Michelangelo Antonioni, Ennio Flaiano e Tonino Guerra
Produzido por Emanuele Cassuto
Música de Giorgio Gaslini
Edição de Eraldo Da Roma

Elenco: Marcello Mastroianni, Jeanne Moreau, Monica Vitti, Bernhard Wicki, Rosy Mazzacurati, Maria Pia Luzi, Guido A. Marsan, Ugo Fortunati, Giorgio Negro.

O filme gira em torno de um decadente (e, por isso, turbulento) relacionamento amoroso entre o escritor Giovanni, representado por Marcello Mastroianni, e a rica burguesa Lidia, papel de Jeanne Moreau. Mas não é possível reduzir a obra ao estereótipo de narrativa dramática romântica, conclusão bastante comum à primeira vista. O que o diretor faz, realmente, é usar disso como se fosse um pano de fundo para algo maior. Ele pretende transmitir uma idéia, e o fará através de seu filme. (Esse parágrafo é o primeiro da crítica feita por Carlos Eduardo Lisbôa, que você pode conferir na aba Críticas na barra lateral.)

P&B, legendado, 122 min.

Touro Indomável - 2/8


Raging Bull (USA, 1980)

Dirigido por Martin Scorsese
Escrito por Jake LaMotta, Joseph Carter e Peter Savage
Roteiro de Paul Schrader e Mardik Martin
Produzido por Robert Chartoff e Irwin Winkler
Edição de Thelma Schoonmaker
Efeitos Especiais de Raymond Klein e Max E. Wood

Elenco: Robert De Niro, Cathy Moriarty, Joe Pesci, Frank Vicent, Nicholas Colasanto, Theresa Saldano, Mario Gallo, Frank Adonis, Joseph Bono, Frank Topham, Charles Scorsese, Don Dunphy.

O boxeador Jack LaMotta (Robert De Niro) é um homem violento tomado por seus instintos animais. Em roteiro baseado na vida de LaMotta, da glória à decadência, Scorcese explora a alma de um personagem que está mais próximo de ser um animal do que um homem propriamente dito, misturando paranóia, arrogância, medo, confusão sexual e violência. Toda a força física e brutalidade que tornaram LaMotta um campeão são as mesmas características que afundam seus relacionamentos com as mulheres, com seus sócios e com o seu irmão. Robert De Niro teve que engordar vários quilos para viver LaMotta, papel que lhe deu o Oscar de Melhor Ator, em 1980. Além disso, o filme teve mais 11 indicações e venceu muitos outros prêmios de crítica.

P&B/Colorido, legendado, 129 min.

Balanço do semestre - 2008/1

Foram alguns sustos e um bocado de tombos pelo caminho, mas o primeiro semestre de 2008 finalmente chegou ao fim. Encerramos o mês de junho (Comédias) com o nosso menor público até hoje, mas foi um mês que merece destaque em nossa existência. Façamos, então, um pequeno balanço do que sucedeu nos últimos meses.

Depois dos
Filmes Absurdamente Coloridos pudemos entrever um maio pavoroso. Com o mês tendo cinco sábados, teríamos apenas dois deles viáveis, ainda com duas semanas entre cada um. Dois feriados e a formatura de uma turma de jornalismo fizeram o ciclo 2x2 ser nossa mais curta e esporádica exibição. Percebi aí certo encurtamento do público. À primeira vista, achei que fosse por causa dos filmes (Denys Arcand não é tão famoso, e os filmes, apesar de não serem pesados, eram bastante monótonos e reflexivos), mas com o passar das semanas (e de algumas conversas) notei que o grupo minguava devido à conformação configurada por nós. Mas avancemos.

Junho começou modesto, mas com grandes intenções. Na reunião votamos quatro comédias que apresentavam, ou pelo menos tentavam apresentar, algumas facetas do gênero. Na lista de votação ainda constavam
Woody Allen e Blake Edwards, entre outros. A escolha se pautou pela perspectiva de cada filme, e, quem acompanhou as sessões, pôde perceber como eram bastante distintos um do outro.

Mas logo após nossa primeira exibição o grupo sofreu um desfalque. Gleber Pieniz enviou um e-mail à organização comunicando seu afastamento. Motivos à parte, a perda foi sentida mesmo não causando grande surpresa; o impacto foi, na verdade, deveras benéfico. O que sucedeu foi que seu afastamento gerou uma aproximação muito maior da parte remanescente. E algumas mudanças ocorreram...

A primeira delas foi o comprometimento da participação integral das exibições. Todos os filmes, todos nós. Outra coisa que mudou (e isto merece atenção) foi a mudança estrutural das exibições. Todos vimos que a antiga configuração não estava dando certo. Por algum motivo desconhecido (comodidade, talvez) o grupo acabou criando uma figura patriarcal nas apresentações, o que gerou certo aspecto professoral nas discussões. Eliminamos isso sentando-nos todos. Agora buscamos a conversa informal, uma discussão muito mais tranqüila e passiva, sem análises semióticas e reflexões profundas dos filmes. Claro, o intuito ainda é esse, mas esperaremos o debate vir com o tempo, não forçando mais tais situações. E, glória!, os silêncios constrangedores acabaram. Aspectos técnicos estão mais em pauta (grande propósito do CdC), enquanto interpretações da mente do diretor são mais secundárias.

Enfim, o mês de junho pode ter terminado fraco de público, mas as discussões só têm se fortalecido. O grupo está mais apegado do que nunca. E o mês de agosto promete.

Feios, Sujos e Malvados - 28/6


Brutti Sporchi e Cattivi (ITA, 1976)


Um filme de Ettore Scola

Escrito por Sergio Citti e Ruggero Maccari

Produzido por Romando Dandi e Carlo Ponti

Música de Armando Trovajoli

Edição de Raimondo Crociani


Elenco: Nino Manfredi, Maria Luisa Santella, Francesco Anniballi, Maria Bosco, Giselda Castrini, Alfredo D'Ippolito, Giancarlo Fanelli, Marina Fasoli, Ettore Garofolo, Marco Marsili, Franco Merli, Linda Moretti, Luciano Pagliuca, Giuseppe Paravati.


Considerado o principal nome do cinema italiano nos anos 70 e 80, o diretor Ettore Scola deixou sua marca fazendo filmes passados num único ambiente, sem nunca se tornar pesado e teatral, como em Le Bal (O Baile, 1983) e no mais recente La Cena (O Jantar, 1998). Um dos seus filmes mais famosos é Una Giornata Particolare (Um Dia Especial, 1977). Representante das comédias políticas do pós-guerra, Scola sempre apresentou uma proposta sócio-política. Feios, Sujos e Malvados não poderia ser diferente. O filme mostra Giacinto, pai de dez filhos, que mora em Roma em meio à pobreza. Enquanto trabalhava, perdeu um olho e por isso recebeu uma grande soma de dinheiro da companhia de seguros. Ele esconde a grana a sete chaves. Agora, sua vida consiste em evitar que sua família roube o seu dinheiro. Para piorar, ele arruma uma amante e a leva para morar na mesma casa e dormir na mesma cama que sua esposa. Misturando cenas hilárias e um retrato realista, o filme mostra a sobrevivência de uma típica família italiana. Considerado uma das melhores sátiras à sociedade da época, Feios, Sujos e Malvados é até hoje um marco na carreira de Scola.


Cor, legendado, 115 min.