SÁBADOS, ÀS 19H, NO BOM JESUS/IELUSC

Os Desajustados - 29/11



The Misfits (USA, 1961)

Direção de John Huston
Escrito por Arthur Miller
Produzido por Frank Taylor
Música original de Alex North
Pilotagem de helicóptero por James W. Gavin

Elenco: Marilyn Monroe, Clark Gable, Montgomery Clift.

Roslyn Taber é uma mulher sensível, que está se divorciando. Gay Langland é um cowboy frio que passou a vida pegando cavalos selvagens e mulheres divorciadas. Ela não aceita o maltrato de animais, enquanto ele não vê nada demais. No meio disso tudo nasce uma paixão entre os dois.

P&B, legendado, 124 min.

O Garanhão Italiano


E não é que o Stallone fez um filme pornô?


Antes de interpretar papéis que o consagraram em Hollywood, como Marion "Cobra" Cobretti, John Rambo e Rocky Balboa, Sylvester Stallone interpretou Stud, um garanhão (que sugestivo!) que traça todas em Party at Kitty and Stud's. O longa pornográfico foi filmado em 1970, em apenas dois dias, e nosso amigo italiano, ainda aos 24 anos, recebeu 200 dólares como pagamento pelo serviço. Com pouco mais de 70 minutos de duração, é um filme típico das décadas de 60 e 70: o explícito não é escrachado. Há cenas de penetração, sim, mas os close-ups ainda não estavam em voga. O que se vê na maioria do tempo é muito esfrega-esfrega, penetração vaginal não-explícita e algumas ejaculações, tudo em planos abertos.

O filme ainda está um pouco difícil de achar, mas fragmentos estão espalhados por toda a internet. A versão brasileira já está à venda com o nome de O Garanhão Italiano. Pensei em colocar um pedaço do filme aqui, mas poderia acabar ofendendo alguém, então optei por colocar só o trailer, que não contém nenhuma imagem ofensiva (na verdade, não contém praticamente nada).

Sobre o filme, Stallone se manifestou brevemente: "Eu estava morrendo de fome quando fiz [o filme], eu estava desesperado. Você sabe que quando está com fome faz coisas que não faria normalmente". É, a fome faz coisa!


Sessão Cancelada!


Atenção, cinéfilos amigos!

Como a situação do alagamento de Joinville não se reverteu, fomos obrigados por force majeure a cancelar a sessão de hoje (Perdidos na Noite, de John Schlesinger). Como todos podem ver, a situação é crítica, então não vamos exceder limite algum. Pedimos sinceras desculpas pelo ocorrido, mas infelizmente não há como contornar a situação.

Deixamos claro que esse episódio é singular e bastante específico, e informamos que no próximo sábado, dia 29 de novembro, haverá, sim, exibição normalmente. O próximo filme a ser apresentado é Os Desajustados (The Misfits, de John Huston). Então esperemos que até lá a situação climática já tenha revertido.

O Clube de Cinema gostaria de desejar a todos um excelente final de semana, apesar de todos os contragostos que podem ocorrer. Aconselhamos a ficar em casa, vendo um filme e comendo às pampas. Por hora, é melhor deixar a natureza fazer sua parte. Um ótimo sábado de preguiça e bons filmes.

Chuvas continuam



Então, pessoal. Eu tive notícias de quem passou pelo centro de Joinville, e me falaram que as coisas continuam feias por lá. Reforço aqui o que tinha postado anteriormente: se continuar feio desse jeito seremos obrigados a cancelar a exibição de hoje.

Não é bom pra gente, não é bom pra você, mas não podemos lutar contra essa força. Então continuem acompanhando o blog para mais notícias.

Obrigado.

Culpa de São Pedro

Seguinte, pessoal.

Como todos devem saber, de um jeito ou de outro, o centro da cidade está alagado, bem como várias ruas de outros bairros. Então o Clube de Cinema tem o desprazer de informar que, caso as chuvas persistam, não haverá exibição hoje.

Bem sabemos que até hoje nada nos fez cancelar uma exibição, mas não podemos faltar com a responsabilidade para com nosso público (e nossos integrantes também), deixando a saúde de alguém à mercê de nossa cinefilia.

Portanto, repito, caso as chuvas persistam e o centro mantenha-se alagado, não haverá exibição do Clube de Cinema hoje. Mas fiquem atentos no blog, pois confirmarei por aqui.

É isso aí.

Perdidos na Noite - 22/11


Midnight Cowboy (USA, 1969)

Direção de John Schlesinger
Roteiro de Waldo Salt
Escrito por James Leo Herlihy
Produzido por Jerome Hellman
Música original de John Barry
Edição de Hugh Robertson

Elenco: John Voight, Dustin Hoffman, Sylvia Miles, John McGiver, Brenda Vaccaro, Barnard Hughes.

Perdidos na Noite conta a saga de Joe Buck (Jon Voight), um jovem ingênuo e sonhador do interior do Texas que abandona um emprego em uma lanchonete para, vestindo um traje de cowboy, tentar ganhar a vida em Nova York como garoto de programa. Sumariamente, é o conto do jovem iludido que parte de sua terra natal em busca da cidade grande e das oportunidades. Personificando a imagem idealizada que aprendeu vendo filmes com John Wayne, chegando lá evidentemente as coisas não acontecem como o planejado, a dura realidade vai de encontro ao protagonista, e lembranças e traumas mal resolvidos no passado vêm à tona demonstrando toda a fragilidade de Joe, um “cowboy” perdido na selva de pedra. Completamente mal-adaptado à sociedade, irá encontrar a redenção na única relação pessoal genuína que pode realizar, esta na amizade com o marginal sem-teto Ratso (Dustin Hoffman). (Trecho da crítica escrita por Juliano Mion, para o CinePlayers. Para conferi-la na íntegra, clique aqui.)

P&B/Colorido, legendado, 113 min.

Reta Final de 2008


Amigos do cinema,

O ano de 2008 se aproxima do fim, e o Clube de Cinema encerrará suas atividades juntamente com a faculdade. O mês de novembro teve seu ciclo iniciado por Easy Rider, e contará com mais duas exibições brilhantes.

Mas antes, quero avisá-los que nos próximos dois sábados, dias 8 e 15, não haverá exibição do Clube de Cinema. O motivo da primeira ausência é a antecipada reserva que Sabrina Lermen fez do anfiteatro do Ielusc, para seu uso cênico. A segunda falta se dá pelo feriado da Proclamação da República. Fiquem atentos, então, e corram para suas locadoras e aluguem um
clássico para o final de semana.

E nos dias 22 e 29 exibiremos os dois últimos filmes do ano. Parece que foi ontem que começamos esse ano, cheios de empolgação e vontades. O tempo passou e muita coisa mudou, os objetivos e vontades ganharam uma cara muito mais séria, adulta, cheia de responsa. As portas se abriram vagarosamente, e agora o CdC vê quanto foi conquistado.

Mas chega de
nostalgia, falemos desse mês. A próxima exibição será Perdidos na Noite (Midnight Cowboy), que conta com Jon Voight e Dustin Hoffman. Não quero falar nada dele a não ser : VENHA VER! E para encerrar o ciclo e o ano, a eterna musa Marilyn Monroe fará par com Clark Gable e Montgomery Clift em Os Desajustados (The Misfits). Sem palavras, meus caros. Um final de ano pra ficar na história, então não ousem perder!

Um forte abraço e um beijo em seus corações.

Sem Destino - 1/11



Easy Rider (USA, 1969)

Dirigido por Dennis Hopper
Escrito por Dennis Hopper, Peter Fonda e Terry Southern
Produzido por Peter Fonda
Edição de Donn Cambern
Construção das Motos por Dan Haggerty

Elenco: Peter Fonda, Dennis Hopper, Jack Nicholson.

Dennis Hopper escreveu, dirigiu e atuou neste filme que marcou uma geração inteira. Ele é Billy, um motoqueiro que viaja pelas estradas dos Estados Unidos junto de Wyatt (Peter Fonda). Símbolo da contracultura e da liberdade que incomodou a muitos, tudo vai no embalo do mais puro sexo, drogas e rock ‘n’ roll, com alguns clássicos do gênero. Apesar do nome de Jack Nicholson estar no topo do cartaz, ele não é um dos personagens principais. Ele é um advogado que cruza seu caminho com o dos motoqueiros a determinada altura do filme, assim como diversos outros. Um road movie símbolo de uma geração, com um belo clima de viagem e uma delicada mensagem para aqueles que não gostam de gente como Billy e Wyatt.

P&B/Colorido, legendado, 95 min.

A Última Loucura de Mel Brooks - 25/10



Silent Movie (EUA, 1976)

Direção de Mel Brooks
Roteiro de Mel Brooks, Ron Clark, Rudy De Luca e Barry Levinson
Escrito por Ron Clark
Produzido por Michael Hertzberg
Música original de John Morris
Editado por Stanford C. Allen e John C. Howard
Efeitos especiais de Ira Anderson Jr.

Elenco: Mel Brooks, Marty Feldman, Dom DeLuise, Sid Caesar, Harold Gould, Bernadette Peters, Burt Reynolds, James Caan, Liza Minnelli, Anne Bancroft, Paul Newman, Marcel Marceau.

Um diretor que teve a carreira destruída pela bebida resolve voltar à ação apresentando um roteiro de filme mudo, mas em plena década de 70. Com medo de perder seu estúdio para um conglomerado que quer comprá-lo, o dono do estúdio resolver apoiar o diretor caso ele consiga grandes estrelas para atuar. Então começa a saga do diretor e seus dois amigos inseparáveis atrás de grandes estrelas, metendo-se em loucas aventuras.

Cor, mudo, 87 min.

Fim das Comemorações


Pois então, caros amigos cinéfilos. As comemorações do primeiro aniversário do Clube aproximam-se do fim, mas fecharemos com chave de ouro, então pegue sua agenda e anote aí.

Nesta quinta-feira, dia 23, segundo dia da
Semana Acadêmica, o Clube fará sua segunda exibição especial de aniversário. Pra quem não lembra, a primeira foi Brás Cubas, do André Klotzel, que teve a participação especial da professora Doutora Deise Freitas, do Nupill da UFSC. A noite foi bacana, o anfiteatro encheu, a discussão rendeu e a doutora falou às pampas.

Agora é a vez do professor Doutor Felipe Soares, também da UFSC, expor suas idéias sobre o fime exibido. E no ritmo da Semana Acadêmica e do aniversário do CdC, procuramos um filme que juntasse os estudantes ao cinema. E é claro que encontramos Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci, que usa o Maio de 68 como pano de fundo para sua história. Não vou fazer a ficha técnica do filme porque ele não pertence ao ciclo regular, mas linkei o IMDb ao nome do filme e na foto abaixo. Também separei três críticas bem bacanas: uma do
Bruno Andrade (Contracampo), outra do Tony Pugliese (CinePlayers) e outra do Eduardo Gustini (Ecce Blog). Então aproveitem a oportunidade e não esqueçam:

Os Sonhadores (The Dreamers, 2003)
um filme de Bernardo Bertolucci

Às 19h, no Anfiteatro do Bonja
Nesta quinta-feira, dia 23 de outubro

ENTRADA FRANCA





E, voltando ao ciclo regular que, por conta do aniversário, estendemos para
setembro e outubro, encerraremos as exibições com uma obra de Mel Brooks, veterano aqui no CdC. Quem participou do ciclo Comédias pôde conferir O Jovem Frankenstein e, com certeza, morreu de rir com suas piadas abobalhadas, típicas do humor descontraído e bastante referencial de Brooks.

E agora ele volta ao Anfiteatro do Bonja com A Última Loucura de Mel Brooks (
Silent Movie, 1976), ao lado de Dom Deluise e Marty Feldman. O humor inconfundível de Brooks se sobressai nessa paródia aos filmes mudos, onde ele e seus companheiros satirizam-se a si mesmos e as referências são incontáveis. Prestem atenção a tudo, porque tudo quer dizer alguma coisa.

É isso aí, pessoal. Dois filmes fantásticos e imperdíveis. Os Sonhadores na quinta e A Última Loucura de Mel Brooks no sábado. Ambos às 19h, no Anfiteatro do Bom Jesus/Ielusc. Não percam!

Um Filme para Nick - 18/10



Lightning Over Water / Nick's Movie (SWE/GW, 1980)

Escrito e dirigido por Nicholas Ray e Wim Wenders
Produzido por Wim Wenders, Pierre Cottrell e Chris Sievernich
Música original de Ronee Blakley
Edição de Peter Przygodda e Wim Wenders

Elenco: Nicholas Ray, Wim Wenders, Susan Ray, Timothy Ray, Chris Sievernich, Ronee Blakley, Tom Farrell, Gerry Bamman, Pierre Cottrell, Stefan Czapsky, Mitch Dubin, Becky Johnston, Tom Kaufman, Pat Kirck, Edward Lachman, Martin Müller, Craig Nelson, Martin Schäfer.

O Filme de Nick é o resultado da ida de Wenders com uma equipe de filmagem para conviver com o mestre do cinema Nicholas Ray, quando este se encontrava extremamente debilitado por um câncer. A idéia surgiu naturalmente numa conversa entre Ray e Wenders enquanto este estava na pré-produção de Hammett. Nenhum dos dois sabia bem o que queria com isso, ou o que aconteceria. Ainda bem, pois o que sai dessa experiência não se explica. O filme ultrapassa e acaba com todas as fronteiras e definições do que são gêneros de cinema, do que é documentário, do que é ficção, do que é narrativa cinematográfica. Pega as polêmicas ancestrais de Kracauer e Arnheim, de Deren e Bazin, amassa-as bem, e joga no lixo com a brutal força que emana do fenômeno da filmagem-montagem, este tal de cinema. (Apenas um trechinho da fantástica crítica de Eduardo Valente, que você pode ler na íntegra aqui. Na aba Críticas você ainda lê o artigo de Lucian Chaussard, publicado no Cineclube Rogério Sganzerla.)

Colorido, legendado, 91 min.

Barton Fink - 11/10


Barton Fink (USA/UK, 1991)

Escrito, dirigido, produzido e editado por Joel e Ethan Coen
Música original de Carter Burwell

Elenco: John Turturro, John Goodman, Judy Davis, Michael Lerner, John Mahoney, Tony Shalhoub, Jon Polito, Steve Buscemi, David Warrilow, Richard Portnow, Christopher Murney, I. M. Hobson, Meagen Fay, Lance Davis.

Barton Fink (John Turturro) é um roteirista teatral promissor, em 1941. Ele acaba de escrever uma peça de sucesso, que está na Broadway, quando recebe uma proposta milionária de um estúdio de Hollywood. Apesar da firme convicção de que o teatro é uma arte mais nobre do que o cinema, ele fica seduzido pela grana. Resmungando, embarca para Los Angeles com uma máquina de escrever e pede para ficar hospedado em um hotel vagabundo. Barton acredita que os artistas, para produzirem boa arte, precisam viver sofrimento. Quer evitar a boa vida de Los Angeles. É uma espécie de auto-punição por ter aceitado um trabalho milionário: ele sua em bicas dentro de um quarto apertado. O lugar é tão quente que a cola do papel de parede derrete, enquanto Barton luta contra o papel em branco. (Esse é apenas um trecho da crítica escrita por Rodrigo Carreiro no CineReporter. Para vê-la na íntegra clique aqui ou direto na aba Críticas na barra lateral.)

Colorido, legendado, 116 min.

Crepúsculo dos Deuses - 4/10


Sunset Boulevard (USA, 1950)

Dirigido por Billy Wilder
Escrito por Charles Brackett, Billy Wilder e D. M. Marshman Jr.
Produzido por Charles Brackett
Música original de Franz Waxman
Figurino por Edith Head
Direção de arte de Hans Dreier e John Meehan
Editado por Arthur Schmidt

Elenco: William Holden, Gloria Swanson, Erich von Stroheim, Nancy Olson, Fred Clark, Lloyd Gough, Jack Webb, Franklyn Farnum and lots of himselfers.

O nome do filme original é Sunset Blvd., que corresponde ao endereço onde a mansão da ex-estrela de filmes mudos Norma Desmond (Gloria Swanson) vive solitária com seu fiel empregado Max von Mayerling (Erich von Stroheim). Sua vida recebe uma guinada quando o fracassado roteirista - e também personagem principal e narrador da história - Joe Gillis chega em sua casa fugindo de cobradores, utilizando a mansão como cativeiro perfeito para que ninguém o encontre. Quando Norma descobre que Gillis é um roteirista, resolve lhe mostrar o rascunho de uma história e pede que o rapaz a melhore para que Cecil B. DeMille a dirija no papel principal. E é por esses bastidores da antiga Hollywood que a história vai se desenvolvendo, mostrando todos os podres da indústria, o que dividiu totalmente a crítica da época. (Esse é apenas um trecho da crítica escrita por Rodrigo Cunha publicada no Cine Players. Para conferi-la na íntegra, clique aqui.)

P&B, legendado, 110 min.

A Rosa Púrpura do Cairo - 27/9



The Purple Rose of Cairo (USA, 1985)

Escrito e dirigido por Woody Allen
Produzido por Robert Greenhut
Música de Dick Hyman
Edição de Susan E. Morse
Figurino por Jeffrey Kurland
Direção de arte de Edward Pisoni

Elenco: Mia Farrow, Jeff Daniels, Danny Aiello, Irving Metzman, Stephanie Farrow.

Durante os anos da Grande Depressão nos Estados Unidos, Cecília é uma garçonete que, depois de despedida do emprego, passa a se distrair vendo sucessivamente o filme "A Rosa Púrpura do Cairo". Até o momento em que presencia o dia em que seu ator principal literalmente sai da tela do cinema para viver a vida real. Os executivos de Hollywood ficam loucos com o personagem Tom Baxter, querendo impedir que ele continue saindo de outras salas de projeção, enquanto ele passa a ter um caso com Cecília. (Trecho retirado da crítica de Amenar Neto. Confira o texto na íntegra clicando aqui ou na barra lateral.)

P&B/Colorido, legendado, 82 min.

O Desprezo - 20/9



Le Mépris (FRA/ITA, 1963)

Dirigido por Jean-Luc Godard
Uma novela de Alberto Moravia
Produzido por Georges de Beauregard, Carlo Ponti e Joseph Levine
Música de Georges Delerue
Edição de Agnès Guillemot e Lila Lakshmanan

Elenco: Brigitte Bardot, Michel Piccoli, Jack Palance, Giorgia Moll, Fritz Lang.

O Desprezo faz uma crítica à estrutura da produção do cinema holywoodiano, e Godard está mais uma vez próximo da filosofia e do existencialismo, através da sua multiplicidade de referências, inclusive a trabalhos dele mesmo, passados (Acossado) e por vir (A Chinesa, Pra Sempre Mozart). É de extrema riqueza narrativa a analogia com as paisagens do mar Mediterrâneo, evidenciando a fragilidade do homem diante da imensidão do oceano. (Trecho final do texto de Mônica Palazzo, que você confere aqui.)

Colorido, legendado, 103 min.

UPDATE O Clube de Cinema está comemorando 1 ano de existência e, por isso, preparamos um ciclo estendido que exibirá até o final de outubro filmes que tem tudo a ver com cinema. Além disso, preparamos duas exibições especiais para vocês. Uma com o tema transversal do ano, Machado de Assis, e a outra na Semana Acadêmica de Comunicação com um filme que tem tudo a ver com clube de cinema e movimentação acadêmica. Então fiquem de olho nos próximos posts e já vão comprando pipoca...

Tarantino's Mind


E pra quem ainda não viu, adicionei em nossa barra lateral o curta Tarantino's Mind, da dupla 300ml, com produção da Hungry Man. A idéia é genial e o curta é muito bem feito. Selton Mello e Seu Jorge discorrem por 15 minutos sobre o "código tarantino", que Mello afirma ter decodificado. Não deixe de conferir o filme e deixar seu comentário para sabermos o que você pensa sobre o trabalho de Quentin Tarantino.

UPDATE Estou embedando o vídeo cá embaixo pois a barra lateral voltará a exibir os trailers de nossas exibições semanais. Além do mais, fica bem melhor o tamanho dele aqui no corpo.


Recesso de Última Hora


Aos amigos cinéfilo-ielusquianos,

É preciso que saibam que nos dois primeiros sábados de setembro (dias 6 e 13) não haverá exibição do Clube de Cinema. Por motivo de force majeure não conseguimos reservar o anfiteatro para as apresentações. Chegamos a discutir a possibilidade de realizarmos a sessão em outra sala, mas seria superestimar a infra-estrutura da faculdade. Portanto, repito, não haverá sessão do CdC nos dias 6 e 13 de setembro.

Mas fiquem de olho, pois no dia 20 de setembro o ciclo que fala sobre Cinema iniciará com grande estilo. A programação, agendada para começar em setembro e terminar somente em outubro, trará filmes imperdíveis. Começaremos com O Desprezo (Le Mépris) de Jean-Luc Godard. Daí pra frente teremos Woody Allen, Billy Wilder, os irmãos Coen, Wim Wenders e Mel Brooks. Então fiquem atentos e não deixem de conferir o blog semanalmente para saber o que está por vir.

Abraços cedeceanos!

Nostalgia - 30/8


Nostalghia (ITA/USSR, 1983)


Dirigido por Andrei Tarkovsky

Roteiro de Andrei Tarkovsky e Tonino Guerra

Produzido por Franco Casati e Daniel Toscan du Plantier

Edição de Erminia Marani e Amedeo Salfa

Figurino por Lina Nerli Taviani

Efeitos Especiais por Paolo Ricci

Treinamento de Cães por Massimo Perla


Elenco: Oleg Yankovsky, Erland Josephson, Domiziana Giordano, Patrizia Terreno, Laura De Marchi, Delia Boccardo, Milena Vukotic.


Se há cinema que não se deixa reduzir a sinopses mais ou menos detalhadas, o de Andrei Tarkovsky é, certamente, dos mais ricos e singulares. Assim, por um lado, podemos dizer que Nostalgia é a história de Gortchakov (Oleg Yankovsky), um poeta russo que, na companhia de uma tradutora, Eugenia (Domiziana Giordano), procura em Itália as informações perdidas sobre a existência de um compositor russo do século XVIII; por outro lado, os verdadeiros acontecimentos não são tanto os que se podem medir por sobressaltos mais ou menos factuais, mas sim os que nos remetem para as dimensões menos visíveis do comportamento humano. (Excerto do texto de João Lopes, que você confere aqui.)


P&B/Colorido, legendado, 125 min.

Contraponto - 23/8



Tideland (CAN/UK, 2005)

Dirigido por Terry Gilliam
Roteiro de Tony Grisoni e Terry Gilliam
Escrito por Mitch Cullin
Produzido por Gabriella Martinelli, Jeremy Thomas, Paul Brett, Peter Watson
Música de Jeff Danna e Mychael Danna
Edição de Lesley Walker
Direção de arte por Anastasia Masaro


Elenco: Jodelle Ferland, Janet McTeer, Brendan Fletcher, Jennifer Tilly, Jeff Bridges, Dylan Taylor.

Jeliza-Rose (Jodelle Ferland, “Silent Hill”) é uma criança que toma conta dos seus pais (Jeff Bridges e Jennifer Tilly), ambos viciados em heroína, e lhes prepara de forma competente a seringa que contém a “viagem de férias”, controlando os cigarros que pendem dos dedos. Depois do desaparecimento da mãe, pai e filha mudam-se para uma casa num campo isolado de Saskatchewan, local propício para a imaginação fantasiosa de Jeliza-Rose, que frequentemente se escapa da sua vida real em conversas com as cabeças das suas bonecas. Jeliza-Rose encontra reposta à sua sede de aventuras nos excêntricos vizinhos: Dickens (Brendan Fletcher) um homem lobotomizado que nada no meio trigo enquanto tenta caçar o tubarão que costuma surgir pelos carris do comboio; e a sua irmã Dell (Janet McTeer), uma taxidermista que se veste como uma bruxa. (Texto original postado em junho de 2007, no Cinerama.)

Colorido, legendado, 120 min.

Morangos Silvestres - 16/8



Smultronstället (SWE, 1957)

Escrito e dirigido por Ingmar Bergman
Produzido por Allan Ekelund
Música por Erik Nordgren e Göte Lovén
Edição de Oscar Rosander

Elenco: Victor Sjöström, Bibi Andersson, Ingrid Thulin, Gunnar Björnstrand, Jullan Kindahl, Folke Sundquist, Björn Bjelfvenstam.

Morangos Silvestres conta a história de um médico e professor aposentado, Isaak Borg (Victor Sjostrom), que aos 78 anos será homenageado com o título honorário da Universidade de Lund, sua cidade natal, a qual abandonara em favor de Estocolmo. Desde a véspera até a chegada em Lund, Borg é invadido por recordações do passado que confrontam o seu presente. Sonhos, devaneios e flashbacks conduzem-no a um mergulho no inconsciente, fazendo-o perceber que seu temperamento áspero e distante impossibilita o envolvimento afetivo com familiares e amigos, protegendo-o do sofrimento e, por outro lado, isolando-o. A constatação da velhice e solidão trazem a presença iminente da morte, incitando-o a repensar sua vida durante o percurso que faz até Lund. (Esse é um trecho do trabalho de Claudia Bavagnoli, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, que você confere na íntegra aqui.)

P&B, legendado, 91 min.

E para aqueles que não gostam de ler, segue uma vídeo-leitura sobre o filme.

A Noite - 9/8



La Notte (ITA/FRA, 1961)

Dirigido por Michelangelo Antonioni
Roteiro de Michelangelo Antonioni, Ennio Flaiano e Tonino Guerra
Produzido por Emanuele Cassuto
Música de Giorgio Gaslini
Edição de Eraldo Da Roma

Elenco: Marcello Mastroianni, Jeanne Moreau, Monica Vitti, Bernhard Wicki, Rosy Mazzacurati, Maria Pia Luzi, Guido A. Marsan, Ugo Fortunati, Giorgio Negro.

O filme gira em torno de um decadente (e, por isso, turbulento) relacionamento amoroso entre o escritor Giovanni, representado por Marcello Mastroianni, e a rica burguesa Lidia, papel de Jeanne Moreau. Mas não é possível reduzir a obra ao estereótipo de narrativa dramática romântica, conclusão bastante comum à primeira vista. O que o diretor faz, realmente, é usar disso como se fosse um pano de fundo para algo maior. Ele pretende transmitir uma idéia, e o fará através de seu filme. (Esse parágrafo é o primeiro da crítica feita por Carlos Eduardo Lisbôa, que você pode conferir na aba Críticas na barra lateral.)

P&B, legendado, 122 min.

Touro Indomável - 2/8


Raging Bull (USA, 1980)

Dirigido por Martin Scorsese
Escrito por Jake LaMotta, Joseph Carter e Peter Savage
Roteiro de Paul Schrader e Mardik Martin
Produzido por Robert Chartoff e Irwin Winkler
Edição de Thelma Schoonmaker
Efeitos Especiais de Raymond Klein e Max E. Wood

Elenco: Robert De Niro, Cathy Moriarty, Joe Pesci, Frank Vicent, Nicholas Colasanto, Theresa Saldano, Mario Gallo, Frank Adonis, Joseph Bono, Frank Topham, Charles Scorsese, Don Dunphy.

O boxeador Jack LaMotta (Robert De Niro) é um homem violento tomado por seus instintos animais. Em roteiro baseado na vida de LaMotta, da glória à decadência, Scorcese explora a alma de um personagem que está mais próximo de ser um animal do que um homem propriamente dito, misturando paranóia, arrogância, medo, confusão sexual e violência. Toda a força física e brutalidade que tornaram LaMotta um campeão são as mesmas características que afundam seus relacionamentos com as mulheres, com seus sócios e com o seu irmão. Robert De Niro teve que engordar vários quilos para viver LaMotta, papel que lhe deu o Oscar de Melhor Ator, em 1980. Além disso, o filme teve mais 11 indicações e venceu muitos outros prêmios de crítica.

P&B/Colorido, legendado, 129 min.

Balanço do semestre - 2008/1

Foram alguns sustos e um bocado de tombos pelo caminho, mas o primeiro semestre de 2008 finalmente chegou ao fim. Encerramos o mês de junho (Comédias) com o nosso menor público até hoje, mas foi um mês que merece destaque em nossa existência. Façamos, então, um pequeno balanço do que sucedeu nos últimos meses.

Depois dos
Filmes Absurdamente Coloridos pudemos entrever um maio pavoroso. Com o mês tendo cinco sábados, teríamos apenas dois deles viáveis, ainda com duas semanas entre cada um. Dois feriados e a formatura de uma turma de jornalismo fizeram o ciclo 2x2 ser nossa mais curta e esporádica exibição. Percebi aí certo encurtamento do público. À primeira vista, achei que fosse por causa dos filmes (Denys Arcand não é tão famoso, e os filmes, apesar de não serem pesados, eram bastante monótonos e reflexivos), mas com o passar das semanas (e de algumas conversas) notei que o grupo minguava devido à conformação configurada por nós. Mas avancemos.

Junho começou modesto, mas com grandes intenções. Na reunião votamos quatro comédias que apresentavam, ou pelo menos tentavam apresentar, algumas facetas do gênero. Na lista de votação ainda constavam
Woody Allen e Blake Edwards, entre outros. A escolha se pautou pela perspectiva de cada filme, e, quem acompanhou as sessões, pôde perceber como eram bastante distintos um do outro.

Mas logo após nossa primeira exibição o grupo sofreu um desfalque. Gleber Pieniz enviou um e-mail à organização comunicando seu afastamento. Motivos à parte, a perda foi sentida mesmo não causando grande surpresa; o impacto foi, na verdade, deveras benéfico. O que sucedeu foi que seu afastamento gerou uma aproximação muito maior da parte remanescente. E algumas mudanças ocorreram...

A primeira delas foi o comprometimento da participação integral das exibições. Todos os filmes, todos nós. Outra coisa que mudou (e isto merece atenção) foi a mudança estrutural das exibições. Todos vimos que a antiga configuração não estava dando certo. Por algum motivo desconhecido (comodidade, talvez) o grupo acabou criando uma figura patriarcal nas apresentações, o que gerou certo aspecto professoral nas discussões. Eliminamos isso sentando-nos todos. Agora buscamos a conversa informal, uma discussão muito mais tranqüila e passiva, sem análises semióticas e reflexões profundas dos filmes. Claro, o intuito ainda é esse, mas esperaremos o debate vir com o tempo, não forçando mais tais situações. E, glória!, os silêncios constrangedores acabaram. Aspectos técnicos estão mais em pauta (grande propósito do CdC), enquanto interpretações da mente do diretor são mais secundárias.

Enfim, o mês de junho pode ter terminado fraco de público, mas as discussões só têm se fortalecido. O grupo está mais apegado do que nunca. E o mês de agosto promete.

Feios, Sujos e Malvados - 28/6


Brutti Sporchi e Cattivi (ITA, 1976)


Um filme de Ettore Scola

Escrito por Sergio Citti e Ruggero Maccari

Produzido por Romando Dandi e Carlo Ponti

Música de Armando Trovajoli

Edição de Raimondo Crociani


Elenco: Nino Manfredi, Maria Luisa Santella, Francesco Anniballi, Maria Bosco, Giselda Castrini, Alfredo D'Ippolito, Giancarlo Fanelli, Marina Fasoli, Ettore Garofolo, Marco Marsili, Franco Merli, Linda Moretti, Luciano Pagliuca, Giuseppe Paravati.


Considerado o principal nome do cinema italiano nos anos 70 e 80, o diretor Ettore Scola deixou sua marca fazendo filmes passados num único ambiente, sem nunca se tornar pesado e teatral, como em Le Bal (O Baile, 1983) e no mais recente La Cena (O Jantar, 1998). Um dos seus filmes mais famosos é Una Giornata Particolare (Um Dia Especial, 1977). Representante das comédias políticas do pós-guerra, Scola sempre apresentou uma proposta sócio-política. Feios, Sujos e Malvados não poderia ser diferente. O filme mostra Giacinto, pai de dez filhos, que mora em Roma em meio à pobreza. Enquanto trabalhava, perdeu um olho e por isso recebeu uma grande soma de dinheiro da companhia de seguros. Ele esconde a grana a sete chaves. Agora, sua vida consiste em evitar que sua família roube o seu dinheiro. Para piorar, ele arruma uma amante e a leva para morar na mesma casa e dormir na mesma cama que sua esposa. Misturando cenas hilárias e um retrato realista, o filme mostra a sobrevivência de uma típica família italiana. Considerado uma das melhores sátiras à sociedade da época, Feios, Sujos e Malvados é até hoje um marco na carreira de Scola.


Cor, legendado, 115 min.

Os Excêntricos Tenenbaums - 21/6



The Royal Tenenbaums (USA, 2001)

Direção por Wes Anderson
Roteiro de Wes Anderson e Owen Wilson
Produzido por Wes Anderson, Barry Mendel e Scott Rudin
Música Original de Mark Mothersbaugh
Direção de Arte por Carl Sprague
Edição de Dylan Tichenor

Elenco: Gene Hackman, Anjelica Huston, Ben Stiller, Gwyneth Paltrow, Luke Wilson, Owen Wilson, Bill Murray, Danny Glover, Seymour Cassel, Alec Baldwin, Grant Rosenmeyer, Jonah Meyerson.

Royal Tenenbaum (Gene Hackman) e sua esposa Etheline Tenenbaum (Anjelica Huston) tiveram três filhos, Chas (Ben Stiller), Margot (Gwyneth Paltrow) e Richie (Luke Wilson), e logo depois resolveram se separar. Com o passar dos anos cada um dos filhos demonstrou talentos diferentes, tornando-se todos bem-sucedidos. Chas logo em sua adolescência resolveu investir em bens, demonstrando um dom natural para finanças, enquanto que Margot se tornou uma escritora de sucesso e Richie um tenista profissional de sucesso. Mas toda a história de sucesso dos três jovens Tenenbaums é esquecida quando seu pai resolve reatar os antigos laços e lutar pelo amor de Etheline, que está prestes a se casar com seu contador, Henry Sherman (Danny Glover).

Cor, legendado, 110 min.

Jovem Frankenstein - 14/6



Young Frankenstein (USA, 1974)
Dirigido por Mel Brooks
Roteiro de Gene Wilder e Mel Brooks
Baseado no romance Frankenstein de Mary Shelley
Produção de Michael Gruskoff
Edição de John C. Howard
Música de John Morris

Elenco: Gene Wilder, Peter Boyle, Marty Feldman, Madeline Kahn, Cloris Leachman, Teri Garr, Kenneth Mars, Richard Haydn, Liam Dunn, Gene Hackman, Mel Brooks.

Numa faculdade de Medicina nos Estados Unidos o Dr. Frederick Frankenstein (Gene Wilder) é um professor que ensina sobre o sistema nervoso central. Um estudante lhe pergunta pelas pesquisas de Victor Frankenstein, seu avô. Frankenstein afirma que o trabalho do avô é o produto de alguém insano. Repentinamente chega Falkstein (Richard Haydn), que viajou 7 mil quilômetros para entregar ao Dr. Frankenstein o testamento de seu avó, que deixou para o neto um castelo na Transilvânia. Frankenstein vai para Transilvânia reivindicar a herança e é recebido por Igor (Marty Feldman), um corcunda vesgo cujo avô trabalhou para Victor Frankenstein. Acompanhados por Inga (Teri Garr), eles vão para o castelo e são recebidos por Frau Blücher (Cloris Leachman), uma mulher que tem um jeito tão assustador que faz os cavalos relincharem de susto. No meio da noite os três seguem um som que os leva até o laboratório de Victor Frankenstein, onde ele tentou dar vida aos mortos. Apesar de cético, Frankenstein lê as teorias do avô e percebe que elas podem funcionar e dá início às mais desastradas experiências.

P&B, legendado, 106 min.

O Sentido da Vida - 7/6



Monty Python's The Meaning of Life (UK, 1983)

Dirigido por Terry Jones e Terry Gilliam
Roteiro de Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones e Michael Palin
Produzido por John Goldstone
Edição de Julian Doyle
Direção de Arte por Richard Dawking e John Beard
Música por John Du Prez

Elenco: Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones e Michael Palin.

O humor corrosivo que caracteriza os filmes do grupo teatral Monty Python está afiadíssimo nas histórias de O Sentido da Vida. Nesse filme, a trupe de comediantes britânicos ganha a tela para satirizar a medicina, a igreja, os militares, o sexo, e tudo o que é levado a sério demais pelos seres humanos normais. A ousadia lhes valeu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes. O Sentido da Vida mostra porque eles fazem sucesso há três décadas na TV e no cinema de todo o mundo. Monty Python começou na BBC de Londres em 1969 e logo se espalhou pelo mundo com suas apresentações ao vivo, livros e filmes. Este foi o último filme da trupe que se separou após este trabalho. Em seus filmes, já satirizaram desde Rei Arthur, símbolo máximo da nobreza, justiça e coragem britânicas (Monty Python e o Santo Graal, 1975), a Jesus (A Vida de Brian, 1979), personagem que dispensa apresentações.

Cor, legendado, 107 min.

As Invasões Bárbaras - 31/5



Les invasions barbares (CAN, 2003)

Escrito e dirigido por Denys Arcand
Editado por Isabelle Dedieu
Direção de arte de François Séguin e Caroline Adler
Fotografia de Guy Dufaux
Música de Pierre Aviat

Elenco: Rémy Girard, Stephane Rousseau, Marie-Josée Croze, Dominique Michel, Marina Hands, Dorothée Berryman, Louise Portal, Pierre Curzi e Yves Jacques.

Dezessete anos depois daquele jantar entre amigos, o casal Remy e Louise está separado e um câncer raro prenuncia a morte do professor. Vindo de Londres – onde leva uma bem-sucedida carreira no mercado financeiro – seu filho Sebastien é convocado para as despedidas e para uma reconciliação de idéias e atitudes com o pai. Neste filme, o mesmo elenco nos mesmos papéis reedita o jantar de idéias de O declínio do império americano e atualiza as discussões ideológicas, culturais, morais e políticas da virada do milênio, colocando sob perspectiva crítica as transformações da civilização em duas décadas. Em tons melancólicos e de pesar frente a valores que se perdem frente ao dinheiro, ao corporativismo e à corrupção, As invasões bárbaras venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2004 e rendeu os prêmios de melhor atriz (para Marie-Josée Croze) e melhor roteiro (para Arcand) em Cannes.

Cor, legendado, 112 min.

O Declínio do Império Americano - 10/5



Le déclin de l'empire américain (CAN, 1986)

Escrito e dirigido por Denys Arcand
Editado por Monique Fortier
Direção de arte de Gaudeline Sariol
Fotografia de Guy Dufaux
Música de François Dompierre

Elenco: Rémy Girard, Dominique Michel, Dorothée Berryman, Louise Portal, Pierre Curzi, Yves Jacques, Daniel Briere, Geneviève Rioux e Gabriel Arcand.

Quatro intelectuais trocam impressões sobre suas vidas sexuais enquanto preparam um sofisticado jantar. Ao mesmo tempo, suas quatro convidadas passam a tarde malhando e falando sobre as suas próprias experiências, numa espécie de diálogo simultâneo sobre o mesmo tema, ainda que em espaços diferentes. O que parece uma sucessão de histórias ora picantes, ora constrangedoras passa ao largo da comédia e esboça um panorama crítico – ainda que debochado – da intelectualidade ocidental nos anos 80, das idéias de individualidade, sucesso, razão, amor, sexo e liberdade. O enredo do filme amarra histórias reais recolhidas do cenário acadêmico pelo próprio Arcand e a hipótese de que a obsessão pela realização pessoal e pela satisfação dos prazeres tem levado a sociedade à decadência, teoria apresentada sob a forma de entrevista dentro do próprio filme.

Cor, legendado, 101 min.

Amarelo Manga - 26/4




Amarelo manga (BRA, 2002)

Produzido e dirigido por Cláudio Assis
Editado e produzido por Paulo Sacramento
Roteiro de Hilton Lacerda
Fotografia de Walter Carvalho
Trilha sonora de Jorge du Peixe e Lucio Maia

Elenco: Chico Diaz, Matheus Nachtergaele, Dira Paes, Leona Cavalli, Jonas Bloch, Conceição Camarotti e Cosme Prezado Soares.

O cotidiano de pobreza, tédio e desesperança dos moradores do centro de Recife tem muitas faces sob a luz amarela hepática e embaçada do sol da capital: sustenta-se artificialmente na fé do açougueiro Wellington (que trai com a amante sua religiosa esposa, Kika), passa pela rotina sórdida dos moradores do hotel Texas (como o cozinheiro Dunga, apaixonado pelo açougueiro) e se aboleta para o merecido trago do final do dia junto aos bêbados e desvalidos clientes do bar da Ligia (como o taxista Isaac, apaixonado pela garçonete).

Primeiro longa do diretor pernambucano Cláudio Assis depois de uma série de curta-metragens e rodado com apenas R$ 500 mil, Amarelo Manga vale-se de um estilo bastante simples e direto para abordar o dia-a-dia das pessoas simples, verniz de trivialidade que encobre uma imagem mais crítica, endurecida e ríspida do brasileiro pobre, mas ainda capaz de encarnar a glória e a desgraça da vida. O conteúdo visceral, sensual até algumas vezes agressivo das imagens (o filme abre com uma seqüência detalhada do abate de bois) é reforçado pelo estouro das cores quentes e ganha contraponto na delicadeza com que a câmera é conduzida nos momentos menos impactantes do filme. Lançado em 2007, Baixio das bestas, seu segundo filme, segue as mesmas propostas formais e temáticas do trabalho de estréia.

Cor, amarela, 103 min.

Suspiria - 19/4



Suspiria (ITA, 1977)

Escrito, dirigido e musicado por Dario Argento
Produzido por Claudio e Salvatore Argento
Roteiro de Daria Nicolodi
Direção de arte de Giuseppe Bassan
Efeitos especiais de Germano Natali
Fotografia de Luciano Tovoli
Música de Goblin

Elenco: Jessica Harper, Joan Bennett, Alida Valli, Stefania Cassini, Eva Axen e Miguel Bose.

A bailarina norte-americana, Suzy Banyon é convidada para lecionar na renomada Academia de Dança de Freiberg, na Alemanha, mas, ao chegar lá, suspeita que algo muito estranho pode estar oculto tanto sob o comportamento dos alunos quanto atrás das paredes da velha escola. Uma seqüência de assassinatos sangrentos confirma suas suspeitas e transforma o que parecia um conto de fadas numa história de bruxaria: à medida que Suzy vai descobrindo as origens da escola e as histórias sobre sua fundadora, mais se aproxima daquela que talvez seja a mais poderosa feiticeira jamais conhecida. Obcecada por desvendar os segredos da maldição que paira sobre a escola, a bailarina passa a ser gradativamente dominada pela Rainha Negra e pode pagar com a própria vida o preço da curiosidade.

O sexto filme de Dario Argento não ganhou corte original em sua produção e foi lançado por partes – às vezes picotado – em diferentes países. Além do uso da cor bastante expressivo, este pesadelo do mestre italiano do gore é bastante marcado pela trilha sonora, especialmente pela colagem de efeitos como suspiros e soluços, pelo tema principal (uma distorção das velhas canções de ninar) e pela música metálica que anuncia a presença da Rainha Negra. Suas seqüências de horror e sanguinolência (extremas, agressivas) colocam o espectador em posição de desconforto e são capazes de um desequilíbrio que talvez não aceite respostas menores que o amor ou o ódio.

Cor, sangrenta, legendado, 97 min.

Kika - 12/4



Kika (ESP, 1993)

Escrito e dirigido por Pedro Almodóvar
Produzido por Agustín Almodóvar
Fotografia de Alfredo Mayo
Montagem de Pepe Salcedo
Som de Jean Paul Mugel para as músicas de Kurt Weill e Granados
Figurinos de Jose Maria de Cossio e Jean-Paul Gaultier (Andrea Caracortada)

Elenco: Peter Coyote, Veronica Forqué, Victoria Abril, Alex Casanovas, Rossy de Palma, Anabel Alonso, Jesus Bonilla e Charo López.

Em Madri, o escritor norte-americano Nicholas contrata a maquiadora Kika para deixar o cadáver de seu enteado, Ramón, pronto para o velório. Ramón – que não estava morto – desperta da crise de catalepsia, se apaixona por Kika e passa a morar com ela. O amor da maquiadora e do fotógrafo, contudo, é posto à prova: além de ser estuprada por Pablo (o desajustado ator pornô irmão de Juana, sua empregada), Kika se envolve com Nicholas. A traição da mulher e a descoberta de que o padrasto havia sido responsável pela morte da mãe joga Ramón contra Nicholas, que começa a ser espionado por Andrea Caracortada, a excêntrica apresentadora de um programa de TV sensacionalista. A partir da suspeita de que o escritor seja um assassino em série, Andrea empenha-se em registrar a vida de todos em busca de um furo jornalístico.

Em Kika, seu décimo filme, as marcas definidoras de Almodóvar parecem ter chegado a um clímax a partir de onde têm se recolhido para dar lugar a um criador mais sóbrio. O sexo (seus signos e suas definições), a morte (e suas determinações) e a abordagem amoral dos costumes e das pessoas sustentam uma história de sucessivos chistes, surpresas e lances inverossímeis, abrindo-se para um melodrama vertiginoso, repleto de caricaturas e exageros. Outra das marcas mais saborosas de Almodóvar, a história-dentro-da-história ou o recurso da metalinguagem propõe discussões mais familiares a este Clube de Cinema, tais como a representatividade da imagem, a ética da imprensa e do entretenimento, a objetividade e a subjetividade das mídias, por exemplo.

Cor, muita, legendado, 115 min.

Ran - 5/4



Ran (JAP/FRA, 1985)


Escrito, dirigido e editado por Akira Kurosawa

Produzido por Masato Hara e Serge Silberman

Fotografia de Asakazu Nakai, Takao Saito e Masaharu Ueda

Música de Toru Takemitsu

Direção de arte de Shinoubu e Yoshiro Muraki


Elenco: Tatsuya Nakadai, Satoshi Terao, Jinpachi Nezu, Daysuke Ryu.


Ambientada no Japão medieval, esta adaptação para as telas do Rei Lear de William Shakespeare tem início quando o senhor da guerra Hidetora anuncia a divisão das terras, do poder e da fortuna do clã em partes iguais, o que atiça a rivalidade de seus três filhos. Tentando manter o domínio de um reino em colapso, o shogun deposita confiança na falsidade dos filhos mais velhos – que às suas costas ambicionam o controle total – enquanto afasta a franqueza o caçula, o único com amor suficiente para apontar-lhe a verdade.


As vívidas pinturas que são o storyboard original de Ran refletem o interesse inicial de Kurosawa pelas artes plásticas e, junto com o ritmo lento das cenas e o uso massivo da cor, são grandes responsáveis pela dramaticidade do filme. Oscar de figurino para Emi Wada em um ano de outras três indicações, Ran e suas seqüências de batalha são as provas da vitalidade de um Kurosawa já com 75 anos de idade, cinco desde Kagemusha, a sombra do samurai – outro de seus tantos dramas épicos inspirados nos guerreiros japoneses dos tempos feudais.


Cor, claro, legendado, 161 min.

Mas que raios?


Muitos ainda se perguntam sobre o Clube de Cinema. Vê-se na expressão de quem vê os cartazes com o canto do olho, ou o lê com certa descrença. Absurdo, diga-se de passagem. O Clube de Cinema não tem pretensão alguma com a exclusividade, a não ser em sua seleção de filmes - ao excluirmos tudo que não presta. Transcrevo, abaixo, a proposta do Clube redigida por um de seus idealizadores, Gleber Pieniz.


O Clube de Cinema faz a exibição e a discussão pública gratuita de filmes com o objetivo de criar um ambiente de estudo e de reflexão sobre o cinema e as tecnologias da imagem, suprindo deficiências culturais locais. A proposta resulta de uma iniciativa dos alunos e quer valorizar o cinema em seus formatos alternativos, pouco conhecidos ou de difícil acesso. Eventualmente, o clube pode relacionar os filmes exibidos a temas do curso de Comunicação Social, apresentando-se como estratégia pedagógica complementar. O clube também espera produzir ensaios críticos e resenhas dos filmes exibidos para serem publicados em formato digital no site que se encontra em desenvolvimento. Futuramente, o Clube de Cinema pretende oferecer oficinas sobre aspectos técnico-estéticos do cinema, além de seminários ligados ao tema.


Agora que ficou mais clara a nossa proposta, apareça e discuta. Seja quem for, seja da onde for, apareça e dê sua opinião. Afinal, é isso que importa.

Agora deixe-me falar sobre a próxima sessão. O ciclo de abril encerrou-se em um tema bastante pertinente e deveras interessante. Depois de algumas discussões chegamos ao tema Filmes Absurdamente Coloridos. Fazendo um contraste ao ciclo anterior (março - P&B), dessa vez a idéia é analisar justamente o que as cores estão dizendo. Se em filmes como Pi a cor foi descartada num estímulo a prestar-se atenção em outras coisas, o que dizer de filmes como Ran, onde Kurosawa usa toda uma profusão de cores para discursar? O que as cores têm a dizer? De que maneira esse diálogo pode se estabelecer? Perguntas que nos cercarão durante o mês de abril. Perguntas que poderão ser respondidas aos sábados. Mas só às 19h.

O Sétimo Selo - 29/3



Det sjunde inseglet (SUE, 1957)


Escrito e dirigido por Ingmar Bergman

Produzido por Allan Ekelund

Editado por Lennart Wallén

Direção de fotografia de Gunnar Fischer

Música de Eric Nordgren


Elenco: Max Von Sydow, Gunnar Björnstrand, Bengt Ekerot, Nils Poppe, Bibi Andersson e Inga Gill.


De volta para casa após dez anos lutando nas cruzadas, um cavaleiro sueco já descrente de Deus tenta afastar a morte apostando com ela a própria vida em um jogo de xadrez. À medida que atravessa uma terra assolada pela fome, pela peste e pela miséria, o homem troca lances com o destino e traça reflexões bastante amarguradas sobre a existência. Filme premiado em uma série de festivais internacionais (incluindo Cannes), é considerado uma das obras mais influentes – mas também a menos realista - de Bergman devido à sua alta carga simbólica e suas alusões metafóricas à religião, à filosofia e à arte.


P&B, 96 min.

Pi - 15/3



Pi (EUA, 1998)


Dirigido por Darren Aronofsky

Produção de Eric Watson

Edição de Oren Sarch

Fotografia de Matthew J. Libatique

Música composta por Clint Mansell


Elenco: Sean Gullette, Mark Margolis, Ben Shenkman, Pamela Hart e Stephen Pearlman.


Morador da Chinatown novaiorquina, o recluso gênio matemático Max Cohen acredita que tudo pode ser compreendido através dos números e procura um padrão que relacione suas dores de cabeça, suas partidas de Go com o professor Sol Robeson e o avançado sistema de computador construído por ele mesmo em seu apartamento. Ao descobrir as relações do número infinito Pi (3,1416) com a cabala judaica, atrai simultaneamente a atenção dos executivos de Wall Street e de uma seita hasídica ortodoxa, embora também precise lidar com seus ataques de desmaio, suas alucinações e ilusões paranóicas. O filme desenvolve-se em clima de veloz perseguição, pontuado pelo corte febril e pelo pulso acelerado da música eletrônica. É a estréia de Aronofsky como diretor, premiado no Festival de Sundance na categoria drama, co-assinando o roteiro com Sean Gullette, o protagonista.


P&B, 85 min.